Me visitam

março 03, 2026

 Eu quis saber de onde vinha aquela obsessão nova por alguém antigo, essa semana a paixão me adoeceu, me pôs de cama, não consigo respirar pelo tamanho que tomou em meu coração. Eu tento disfarçar, mas pressinto que todos notam as faíscas que explodem quando nos aproximamos. 

Você esteve ali esse tempo todo, lindo, é verdade, isso você sempre foi, mas meu corpo nunca tinha reagindo ao seu dessa forma, eu tenho sentido seu cheiro a uma distância considerável, meus feromônios se jogam em voce, a mão suando, a voz suavizada, as pernas bambeando, penso que todos flagram minha fragilidade e descontrole.

Eu fico procurando uma razão pra ter sido tomada de assalto por esse desejo avassalador e a única explicação está em seus olhos sobre mim, nao lembro de alguém ter prestado atenção nas minhas preferências, não lembro e alguém levar em consideração o que eu dizia, mas te vi me olhando com o interesse de quem aprende e isso mudou tudo sobre sim.

Voce disse, despretensiosamente, que eu devia ser exatamente quem eu sou, isso te abriu um portal de poder sobre mim, porque não faço ideia de quem eu seja, e voce gosta de uma versão minha que desconheço, preciso de você para me desvendar. 

Não quero te machucar, não quero que você me machuque, só queria que você soubesse do quão especial você me fez sentir apenas por demostrar que me viu em algum momento, não é pouca coisa ser vista por ti, meio que prova a minha existência e isso me faz ter vontade de sair dançando pelo mundo, me faz sentir viva.

fevereiro 18, 2026

 De todas as coisas eu queria pelo menos viver uma das minhas ficções uma vez na vida, eu vivo no campo do platônico, eu aprendi a sobreviver disso, mas as vezes, por um segundo, sinto uma dor indizível pela injustiça de nada disso ser real. Eu crio coisas lindas, mas imaterializaveis, o real não me alcança, não há toque físico, mas a dor é dilacerante. 

Para que eu sinta que estou viva eu vou criando um mundo fictício, eu vivo nele por um período, mas um dia eu acordo e me atiro no chão pra despertar com a dor da inexistência, eu julgo injusta a realidade, mas não sei como transforma-la, eu aceito o que há, me agarro a alguma beleza e sigo fingindo ser como os outros, não que eu seja como os outros, mas simulo.


janeiro 22, 2026

 Voltei ao estado de angustia que deu origem a esse blog, 2008 foi um ano de transformaçao profunda na minha vida, eu entrei na faculdade e o mundo se abriu de tal forma que nunca mais fui a mesma. Eu ainda nao consegui identificar de onde vem minha angustia atual, qual o gatilho, as vezes acho que  pode ser hormonal, mas nao tenho certeza, talvez seja outra troca de pele, o luto pelo que estou deixando pra trás, nao sei, so sei que escrever me ajudar a fingir controle.

Tenho estado triste, um buraco fundo e vazio faz barulho dentro de mim, me sinto muito sozinha e cada vez mais desconfiada de tudo, sei que no fundo ninguem se importa e que a solidao é uma realidade que ja venho superando pela vida a fora, nao e como se me encontrasse em uma situaçao dificil, as vezes penso que pelo contrario, o fato de realizar coisas que apenas tinha sonhado que é que levam a essa sensaçao de perda de esperança.

Estou triste, nao tenho nenhum problema, nao tenho estou correndo nenhum risco, so estou triste, é como se estivesse apenas assistindo as pessoas vivendo suas vidas, sem conseguir participar de nada. Nao consigo sonhar com nada, nao consigo desejar nada, me sinto uma crianca esquecida na creche.

Me angustia pensar que a vida pode ter esse tom pra sempre, essa amargura, nao lembro de ter vivido dessas maneiras outras fases de angustia, antes ficava agitada, tentando resolver, mas hoje nao consigo identificar de onde vem essa dor, o que me jogou nesse buraco do nada, estou escrevendo pra ver se encontro em mim alguma faisca.