Me visitam

fevereiro 22, 2012


“Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Diga o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego. Era ele estar por longe, e eu só nele pensava. E eu mesmo não entendia então o que aquilo era? Sei que sim. Mas não. E eu mesmo entender não queria. Acho que. Aquela meiguice, desigual que ele sabia esconder o mais de sempre. E em mim a vontade de chegar todo próximo, quase uma ânsia de sentir o cheiro do corpo dele, dos braços, que às vezes adivinhei insensatamente – tentação dessa eu espairecia, aí rijo comigo renegava. (…)”

E como negar uma coisa que o corpo faz questão de lembrar que existe o tempo todo?

fevereiro 16, 2012


A vida acaba afinal, não vale mesmo a pena ficar aqui pensando muito no fato de ter escolhido errado na hora do vestibular, já se passaram quatro longos e dolorosos anos, agora é só pegar o canudo e ir em frente como eu sempre fiz, não importa se mais uma vez der tudo errado, as coisa deram certo de certa forma e deve ter sido inspirador para alguns.
Amor, amigos, esses apareceram e se foram como tudo, são no máximo e com dignidade oitenta anos de vida, nada mais do que isso, talvez um quarto já tenha passado, os outros devido a larga experiência não deve ser muito diferente, vide todas as semana de férias que tive, não mudaram em nada minha vida nem a de ninguém. A vida é curta, rápida, não vale a pena pensar quem será mais ou menos feliz do que eu, se é que serei feliz algum dia ou se é que que já houve alguém feliz.

"Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo."


“Eu careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados… Como é que posso com este mundo? Este mundo é muito misturado.”

Eu preciso muito que meus amigos sejam meus amigos a qualquer custo, com qualquer humor que eu pussua, que meu inimigo me detestem a qualquer custo, que não me estendam a mão quando eu cair, que quando eu apontar o dedo em direção a alguém seja esta a exatamente aquilo que eu julguei, preciso que o caminho tenha somente duas opções o real e o irreal, que eu saiba sempre distinguir entre os dois, eu quero o impossível.

janeiro 17, 2012


Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar. Por isso o meu verso tem essa quase imperceptível tremor. A vida é triste, o mundo é louco! Nem vale a pena matar-se por isso. Nem por ninguém. Por nenhum amor. A vida continua, indiferente!

janeiro 14, 2012


Ora veja… é o que sempre acontece às pessoas românticas: enfeitam uma criatura, até o último momento, com penas de pavão, e não querem ver, nela, senão o que é bom, muito embora sentindo tudo ao contrário. Jamais querem, antecipadamente, dar às coisas o seu devido nome. Essa simples idéia lhes parece insuportável. A verdade, repelem-na com todas as forças até o momento em que aquela pessoa, engalamada por elas próprias, lhes mete um murro na cara

janeiro 13, 2012


Eu gostaria de dizer que a vida é cheia de encontros e papos legais e agradáveis, entre outras possibilidades românticas, mas não é. Não há consolo, apenas esperas e incertezas e corações esburacados. A vida não é feita de campos de morangos para sempre, como aquela dos Beatles. Ela é feita, em sua imensa maioria, de cretinos de carteirinha e clubes de risadas mórbidas.

janeiro 12, 2012


“Se me perguntarem qual o sentimento que considero mais bonito ou mais importante, vou abrir um sorriso e dizer: O correspondido!”

janeiro 11, 2012


Lembro-me de que se tornavam cada vez mais difíceis para mim a solidão e o mutismo, que eu não ousava interromper. Havia um ano já que eu levava uma vida consciente, sempre pensando, sonhando e sofrendo em silêncio, com anseios desconhecidos e vagos que de repente me assaltavam.

janeiro 10, 2012


E agora o meu maior problema é esse amor louco por alguém que se quer existe, uma amor doentio que me faz ter medo de mim mesma, passo dias sem comer, sem viver, pelos em riste, frio na barriga. Que Deus exista de alguma forma para justificar essa angustia, que Freud esteja certo e isso não passe do meu super ego se manifestando, que funcione a acupuntura, que o funcione a terapia, que me livre dessa dor, que descubra escondido nisso uma vergonha de ser eu mesma, que descubra nesse amor a falta de amor próprio, os traumas da infância, a aversão ao sexo oposto, o deslize de carater, que me descubra a culpada, que não seja amor, seja dor, seja culpa, seja desejo carnal, que não seja amor algo que doi dessa forma.



Quando eu te vejo minha mão fica tão gelada e meu coração tão quente que eu pareço um petit gateau.

dezembro 28, 2011


(…) E deslizo para esta solidão demasiado humana de não poder voltar a ser sozinho, como era quando tu existias, nesta mesma cidade, e eu já nem sequer pensava em ti.

dezembro 12, 2011


Para me dar força, escrevi no espelho do meu quarto: “Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?” E o que estou tentando vivenciar. Certo, muitas ilusões dançaram — mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas. Também não quero dramatizar e fazer dos problemas reais monstros insolúveis, becos-sem-saída. Nada é muito terrível. Só viver, não é?

dezembro 10, 2011


Amei uma pessoa, não pelo que ela realmente era, mas por tudo que representava pra mim naquele momento e nos momentos que segui amando-a, eu na verdade não queria a liberdade de viver outro amor, não queria esquecer aquela triste história que me fazia sofrer, eu poderia viver disso eternamente, porque duas semanas de um amor de verão foram meu refugio durante os longos 5 anos de faculdade, talvez eu pudesse levar sozinha aquele sentimento por toda a minha vida e ainda que soubesse que perderia grande parte do espetáculo, não queria me livrar desse amor.
Talvez eu fosse realmente uma daquelas pessoas que amam de verdade apenas uma vez na vida, ou criei alguém perfeito que pudesse amar sem questionar esse sentimento devido a sua inexistência, tive tempo de cultivar aquele sentimento, de podar todas os defeitos daquela pessoa, ele é claro não estava totalmente isento da culpa de me iludir, ele o fez por esse caminho, de maneira fina e delicada alimentava em mim a esperanças que os apaixonados precisam pra seguir amando, dando desculpas diversas por estarmos separados, dizendo que se fosse diferente seriamos um, e a tragédia estava completa, eu estava totalmente inebriada pela dor, eu queria sentir aquilo, afinal foram muitas comédias românticas pra chegar aquele nível de inocência em relação as homens.



Uma mescla dessa maliciosa impressão que às vezes degenera na necessidade de remexermos propositadamente na ferida, pelo desejo de nos distrairmos com o nosso próprio sofrimento, reconhecendo precisamente que no exagero de toda infelicidade há também um prazer.

dezembro 08, 2011


Hoje à noite lua alta, faltei e ninguém sentiu a minha falta.


Começar qualquer pedido com o maior de todos o " Eu quero ser Feliz", e quando me pergunto o que é ser feliz já não sei responder, não é como eu imaginei que seria, ter um emprego, um marido, filhos, uma carreira promissora, nada disso é a tradução da felicidade, palavra que confunde nossas cabeças e nos faz consumir coisas do que precisamos.
Eu realmente não busco aqui uma resposta para a pergunta do que seria essa felicidade, nem me pergunto qualquer coisa, as vezes prefiro ficar com os pensamento soltos sem questionamentos que não me levam a nada, as vezes nem quero o que a maioria quer, em outras sinto que desperdiço meu tempo tentando me poupar das aflições.
Sabe ando procurando justificativa para a inercia em que vivo, a resposta é uma só, eu não quero, diante de tudo que sei, das analises que fiz, a resposta só pode ser uma, eu realmente não quero uma vida diferente dessa, eu não quero esse amor, eu não quero esse sacrifício, eu não posso abrir mão do não saber o que acontece no fim da linha.
Eu poderia simplesmente admitir que ando muito só, mas eu não gosto de pessoas, sinceramente as pessoas tem me cansado, eu não consigo mais confiar nelas, eu não consigo mais parar de vê-las por de trás do que realmente são, eu não tenho mais a boa ilusão quanto ao que poderiam me parecer, isso me fere, porque sempre é mais do mesmo, inclusive eu.
Eu não quero alguém exatamente igual a mim, alguém que fez seu próprio destino, construiu sozinho sua história, conhece o árduo caminho que percorri, eu quero alguém livre de toda mágoa que acumulei, de toda a arrogância dos que foram abandonado e sobreviveram, eu quero alguém que tenha um porto, uma saída se eu der errado, na verdade quero uma história muito diferente da minha, mais fácil, mais doce e calma.
Eu não sou triste, nem estou, um pouco amarga quem sabe, mas ainda assim eu tento manter-me na linha, sem drama, sem tipo. Eu cresci esses dias, eu me afastei de umas pessoas, elas ainda me fazem falta, não farão daqui a pouco, eu fui embora e ninguém notou, eu prefiro assim, quem sabe o destino, o universo ou a vida volte a me surpreender algum dia, ai eu volto, sofro e sinto tudo outra vez, por enquanto o que eu quero e que o tempo continue passando.

dezembro 06, 2011


Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou váriamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpétuamente, me ponta traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada, por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.

dezembro 05, 2011


“Quanto a mim, não posso, dadas as tendências variadas do meu espírito, contentar-me com uma única maneira de pensar. Como poeta e artista sou politeísta, como naturalista, inversamente, sou panteísta, e uma coisa tão decididamente como a outra. Se eu tiver necessidade de um Deus para uma personalidade de ser moral, está tudo preparado para responder também a essa exigência. As coisas do Céu e da Terra são um domínio tão vasto que unicamente os órgãos de todos os seres reunidos são aptos para as envolver.”