Me visitam

junho 22, 2018

Não vai sair no jornal, mas hoje uma amiguinha de longa data de se foi, ela vinha me encontrar na rua todos dias, ela sacudia o rabico e seu sorriso desdentando denunciava a alegria de ver um rosto conhecido entre tantos que atravessavam aquela rua.
Não vai sair no jornal que a vira-latas amarelinha, que vivia com outros cães em uma casa sem muros, resolveu passear pela rua vazia no meio de um jogo do Brasil na Copa do mundo e uma criatura indecente, com pressa em ver gols sem sentido, tirou sua vida e foi embora em alta velocidade sem remorso ou curiosidade em saber como ficou o bichinho contente que procurava comida em alguma lixeira vizinha.
Entre o choro do fake do neymar e um gol ou outro desse time que não representa mais ninguém não vai sair no jornal o amor que a Biga sentia e demonstrava todo dia ao acompanhar as crianças da casa ao lado até o colégio onde elas estudavam, não vai sair no jornal que a biga respeitava as portas de estabelecimentos e esperava pacientemente sua mamãe pagar os boletos na lotérica da esquina, não vai sair no jornal que Biga esperava o ônibus no mesmo ponto que eu todos os dias.
Os rojões e as vuvuzelas festejavam um vitória sofrida enquanto Biga se despedia e nós não pudemos dizer adeus, espero que não tenha doido, espero que Biga tenha sido feliz, acredito que foi, ela nunca refletiu sobre brutalidade e estupidez do mundo, ela sorria e balançava o rabo, ela reconhecia os vizinhos, amava suas crianças, adorava biscoitos que não podia mastigar.
O amor de Biga não vai sair no jornal, a vida e a morte de Biga não vão ser noticia essa noite, tenho certeza que a ela não sente nenhum sofrimento agora, mas nós amigos, nós estamos a merce de nossas dores, nossas perdas, em mim Biga ecoa.

maio 03, 2018

faltam 37 dias para um tudo, eu não tenho nada desse tudo, faltam 37 dias para que o roleta gire, mas não tenho forças para preencher esses dias. Por que afinal fazemos isso com o que temos, por que estipulamos prazos, metas e objetivos alcançáveis  apenas por alguns?
Tem alguma coisa de errada em cada um de nós, ferimos e somos terrivelmente maldosos sem necessidade, lutamos e não fazemos sentido na maior parte do tempo, as lutas são sem sentido de maneira geral.
Em alguns dias me sinto só, em outros eu quero sumir, faltam 37 dias para que eu possa respirar e depois voltar a praticar apneia que estou acostumada. Estou escrevendo isso pra procrastinar, tenho 37 dias pra preencher um vazio de uma vida, isso é possível?

abril 05, 2018

Hoje é 05\04\2018

Estou tentando me concentrar em alguma coisa boa, trocamos minha medicação e pelo que tenho sentido isso não vai dar nada certo. Estou pesada e sem vontade de continuar, o mês de abril costuma ser muito  tenso, o sol em aries deixa todos muito agressivos.
Eu sei que metade do sinto é efeito das sinapses erradas do meu cérebro, mas a outra metade diz muito do mundo em que vivo e de como assisto paralisada as estruturas da minha vida se esfarelando.
Não tem nada de errado ainda, as coisas vão bem, estamos calmos e corre tudo em ordem para nós, a sensação de desconhecer o futuro é que me apavora, a sensação de ter perdido mais uma batalha me entristece, mas eu ainda posso culpar as sinapses e continuar, dói, mas eu já aguentei coisa muito pior, no funda da minha gaveta tem sempre uma solução prática, não temo quase nada.
Escrevo porque é necessário realinhar os pensamentos, continuar apesar dos acontecimentos que não posso controlar, a chuva abre espaço pra que as temperaturas caiam, o inverno nem sempre é escuro.
Estamos todos bem, existe amor e esperança, vamos rever a posologia e as sinapses vão chegar em um equilíbrio, estamos caminhando, não podemos parar.


março 23, 2018

Carolina

Oi, Natália.

Me disseram que terá um chá para sua conexão com o sagrado feminino e para harmonizar a chegada da sua Carolina nesse mundo caótico em que vivemos.Por causa disso fiquei pensando a semana toda que palavras poderiam ser ditas a ti e a essa menininha que todos aguardamos muito ansiosos e emocionados.
Carolina chega em nossas vidas em momento tão conturbado que  em um primeiro momento você deve ter congelado com a ideia, entre retrocesso e violências o mundo que acolhe sua filha é um convite para a luta,  mas conte a Carol que esse é um ótimo jeito de chegar aqui, diga também que, apesar de todas as coisas que estão em desacordo, ganha corpo (como quem sabe nunca tenha ocorrido) diversos movimentos de mulheres apoiando outras mulheres, mulheres que estão de punho em riste  prontas para qualquer embate, mulheres que não estão mais dispostas ao recato e ao lar. Carolina passara pelo caminho que está sendo aberto por essas mulheres, ele é duro mas será bonito.
 Então quando resolvi  escrever algo para vocês antes eu fui dar uma olhada no que representava o nome Carolina, e  entres tantos significados eu descobri que ele quer dizer MULHER DO POVO, olha só, que maravilhoso significado para um nome.
 Carolina é uma musica de Chico, Carolina Carol Bela é uma musica de Jorge Ben, Carolina é o nome de filme, de estado, município é nome de uma escritora negra maravilhosa "Carolina Maria de Jesus" que eu espero que você apresente muito em breve para ela.
Carolina chega como uma grande alegria para todos nós, mas não  consigo imaginar como deve ser teu estado de encantamento com essa chegada, Nati, que seu encontro com sua filha seja lindo, delicado e cheio de amor. Que vocês se reconheçam logo de cara e tudo flua naturalmente como deve ser. Daqui eu mando todo meu sentimento de paz, de carinho e todo meu amor por vocês, mando meu desejo de que ela chegue saudável, que ocorra tudo bem no parto e de que ela traga muita felicidade para todos a sua volta.
Com todo meu Amor.

Liana

março 05, 2018





Lembro que na escola, na quinta serie do ginásio, estávamos ensaiando uma roda de capoeira para uma apresentação do dia do folclore, as palmas deviam ser ritmadas de acordo com o som do berimbau, crianças de dez anos de idade que viviam em uma comunidade ucraniana de maioria branca e católica  não eram exatamente as mais performáticas representando a cultura afrobrasileira, mas até ai tudo bem, acontece que essas crianças resolveram rir e excluir aqueles que eles acreditavam estar destoando das batidas da apresentação, lá estava eu, com minhas mão emudecidas diante de risos e reclamações de atraso da conclusão do "espetáculo".
 A vida sempre foi assim, ninguém olha e diz: é você, todo mundo parece que tem que cavar fundo pra me dar um crédito, e acostumei a seguir no ritmo sem ouvidos dispostos a ouvir, nesse dia uma das  professoras percebeu minha que insistência estava correta, que eles deveriam seguir minhas mão para entrar no caminho, nesse dia eu não desisti e não desacreditei da minha cadencia da exclusão surgi como referencia. 
No entanto, os  dias seguem, e vejo mais e mais olhos de dúvida, olhos de desconfiança, e isso está muito mais relacionado como o mundo em que vivo do que com quem realmente eu sou, hoje já não tenho dez anos, não acho mais que é um equivoco auditivo quando não conseguem me escutar, acho muito mais que é puro silenciamento, e foi sempre assim de alguma forma, hoje eu já não consigo me esforçar todos os dias para acreditar na minha harmonia, porque não sei se tenho força pra continuar.
A vida é um eterna quinta série, infelizmente pra mim.

dezembro 25, 2017

Particularmente nunca gostei de festas de final de ano, acho que as pessoas, inclusive eu, são tomadas por uma especie de histeria coletiva nesse período, isso faz com que vários acontecimentos desastrosos tomem forma.
De modo geral nos últimos anos essas datas tem sido comemoradas por mim e pela minha família com muita paz e serenidade, mas as lembranças da infância não são nada fáceis e associação de natal com desgraça e confusão é inevitável.
Eu fico meio sem saber onde colocar as mãos nesses eventos, não somos muito de nos tocar, nem expressamos com facilidade nossas emoções boas, as ruins são mais impetuosas, mas o importante é que quando passa tenho a sensação de dever cumprido e roteiro finalizado.
Queria falar mais sobre como isso se dá na cabeça das pessoas que amo, de como elas se sentem nesses dias, gostaria de estar mais perto de verdade, mas entendo em parte a distancia e o isolamento que cada uma escolheu.
Eu me sinto só, mas não acredito que nenhuma relação humana seria capaz de habitar comigo essa solidão, eu invento objetivos que pudessem curar nossas feridas no próximo natal, mas acho bem pouco provável  que no intervalo de 1 ano tudo que nos afetou durante uma vida cicatrizasse como milagre.
No fundo eu só gostaria de dizer, sem que fosse preciso escrever em segredo, que os amo, que sei que estamos longe da plenitude, que gostaria de ser mais responsável por suas alegrias do que por suas lagrimas, mas eu também sou espinhosa e quando me aproximo muito machuco mais do que curo.


outubro 29, 2017

Das mais variadas formas o desejo de partir se apresenta. Em alguns momentos de dor profunda, nas momwntos em que estou determinada, quando nao consigo vislumbrar uma solucao. Acontece que nunca vou, minha resiliencia e do tamanho do meu medo de mudanca. Sou covarde.
Falta sentido nessa escolha, mas se tem uma coisa que aprendi na vida e que o futuro nos escapa por completo. O mais seguro e abracar o conhecido. Ainda que ele tenha espinhos. Ainda que ele nunca abrace de volta. Ainda que esse abraco sufoque.

outubro 15, 2017

De repente aqui me dá um baita desanimo de tudo, pensando nas coisas da vida e de como vivi até agora percebo que ando atras de algo que não é em nada nobre e menos ainda engrandecedor. Não que todas as pessoas do mundo devessem se preocupar em estar em busca de algo desse tipo paras as suas vidas, mas acontece que coisas que realmente me afetam são preteridas em nome dessa busca que não tem dado resultado.
Eu detesto me sentir sozinha, eu detesto essa falta de conexão que sinto em relação as minhas relações, eu não me conecto porque acho sempre que estou de passagem, a busca está longe e não tenho tempo pra ficar e aprofundar as conversas. Eu vivo tentando chegar em algum lugar, mas nem sei onde é isso, as vezes eu penso que ali terei segurança, garantias e enfim sossegarei, eu não quero essa busca, mas eu não sei fazer o caminho de volta, eu não sei buscar outra coisa.

setembro 04, 2017

AS CARTAS DE AMOR PERDEM O SIGNIFICADO DIANTE DAS CARTAS DE DOR

Você procura evitar ao máximo a realidade de suas próprias escolhas, não gosta nada de que elas sejam questionadas, gostam menos ainda quando apontam coisas que voce finge não ver, ok isso é normal, ninguém é obrigada a viver a realidade o tempo inteiro.
A sua necessidade de preencher os seus vazios faz com que coloque pessoas em alguns lugares, as vezes voce acerta, as vezes essas pessoas te completam, te dão suporte, te estabilizam, mas muito frequentemente sua falta de critério faz com que você preencha seus vazio com buracos negros que estão prontos pra te enterrar no teu próprio sofrimento e nos deles que é o a unica coisa com que eles se importam.
Apesar de voce levar muito pouco em consideração o que as pessoas ao redor tem pra te dizer, o que elas conseguem ver daquilo que voce esconde de si mesma te afeta e te deixa irada. 
Eu fiz uma coisa parecida com isso a algum tempo, eu apontei um erro teu com veemência, esse apontamento não te proibiu de continuar fazendo o que queria, mas o fato de não te apoiar fez com que voce me colocasse como refém de um erro eternamente, voce  queria que ignorasse a dor de alguém que eu amava e respeitava, que convivesse com alguém que em nome do proprio desejo simplesmente  passou por cima da existências de alguns dos seus melhores preenchimentos, aquele que te dava o suporte que eu jamais consegui dar.
Mesmo diante disso voce seguiu seu desejo, fez o que tinha vontade, mas não me perdoou por ver. Depois disso voce fez outras escolhas preteriu as anteriores e seguiu sendo quem voce é, mas os buracos te atraem para perto deles, voce estava numa escolha ok, saudável, mas os buracos são incansáveis, ele não se importa com o que você quer, ele só precisam de algo para engolir, para enterrar, os buracos parecem grandiosos, mas todos sabemos que eles são ocos. 
Buracos se reproduzem, mas não conseguem ver nada além deles mesmos, os buracos  são cegos e egoístas, nunca levam o lixo pra rua, nunca levam o cão pra passear, nunca lavam o banheiro, saem dizendo que não receberam o que mereciam, mas se recebessem o que mereciam não ficariam nem um dia em lugar algum, porque não merecem nada além do desprezo.
Os buracos não suportam criticas, não acreditam nelas, são homens com certeza, porque o mais medíocre dos buracos acha que vale mais do que qualquer vazio de mulher, inclusive um buraco de latrina. Os buracos são machistas, racistas e menosprezam as conquistas alheias justificando que são maiores do que tudo, na verdade eles são cheios de lama.
Voce não enxergou o quanto seu buraco desrespeitava quem estava ao seu lado, voce não ve que o buraco cava cada vez  mais fundo pra poder te culpar pelo próprio vazio, o buraco quer sugar tudo de todos porque acredita que o mundo deve alguma coisa coisa pra ele, o buraco acha que é unico que vaga como uma ferida por ai, mas tem mais privilégios do que qualquer pessoa que eu conheço, o seu buraco tropeçou na nossa realidade, não pode mais ser vitima e em algum momento voce percebera que ele não é nada.



setembro 02, 2017

Os ciclos de violência nunca acabam, eu luto e luto, mas  parece que eles apenas se repetem num looping infinito de dor. Eu nao compreendo as pessoas que amo, acredito sempre que elas estão precisando de ajuda, mas elas nao querem que eu seja sua salvadora. Eu sinto a sua dor e vejo que estao imergindo, mas elas nao querem que eu as toque. Qual minha contribuição no seu afogamento? As pessoas que amo se machucam, me machucam e estão cegas para sua propria força de agressão.   As pessoas que amo,  amam apenas aqueles que sao incapazes de amar. Acreditam que violência ė sinônimo de amor, acreditam que uma jaula é o lugar mais seguro aonde podem estar. As pessoas que amo nao conseguem se ver sucumbindo ao abuso, ao controle, ao egoísmo romantizado do outro. As pessoas que eu amo nao acreditam no meu amor egoista, controlador e desajustado, elas apontam os erros do outros em mim, mas escolhem nao ouvir o que eu tenho a dizer. As pessoas que eu amo amam aqueles que me odeiam, lidamos muito mal com isso desde sempre, as pessoas que eu amo me machucam quando estao feridas e nao conseguimos nos ajudar em nossa  cura. As pessoas que eu amo parecem nao ver que eu lutei todos os dias da minha vida pra fugir violência e da escuridão,  nao reconhecem que para isso eu construi sozinha minha casa, minha família, minha fortaleza, e apesar disso as pessoas  que eu amo insistem em estar com gente tao pequena que tenta a todo custo menosprezar cada uma das minha batalhas. Esse desprezo não afeta as pessoas que eu amo, acho que  em algum ponto elas nunca enxergarao quem eu sou e o que eu fiz, mas eu fui foda porque eu não so sobrevivi, eu transformei meu mundo. A violência volta sempre a nossa vida  porque fomos marcados por ela, mas nao me canso de lutar. Aos violentos e as violência só posso mostrar meus punhos cerrados.

abril 25, 2017

É  como se eu estivesse sempre na expectativa de uma noticia boa que fosse mudar as coisas, a sensação de solidão é mais comum do antes, apesar de agora eu saber que vai ser pra sempre.
Tem dias que espero brutalmente que a vida acabe logo, mas não sei bem porque eu continuo caminhando.
Os ciclos continuam os mesmo, as guerras vencidas são retomadas diariamente, é como se eu falasse um língua estranha que ninguém decifrasse, mas eu falo e ninguém quer realmente ouvir.
Eu sinto muito, diversas vezes eu sinto o que não deveria sentir, é uma forma obsessiva de pensar que ultrapassa o plano mental me destrói fisicamente, você não pode ver, mas eu ardo em chamas enquanto me perco no olhar.
Eu quero ir embora, eu passei a minha vida inteira querendo ir embora, não sei porque, mas é longe do aqui que acho que encontrarei solução, levo todos os problemas comigo, agora talvez leve também a consciência deles.


novembro 14, 2016

É preciso falar, escrever, liberar, Trump foi eleito capitão do barco, já estavamos a deriva faz tempo, as coisas podem piorar, os ratos querem se salvar e vamos todos ter de andar na prancha.
Eu estou triste, muito triste, se voce chegar perto vai conseguir sentir a tensão que é minha presença de desespero, eu achei que ia melhorar o mundo, mas agora so penso que o pior está por vir, tristeza e solidão são coisas muito pesadas e todos estão se afastando.
Queria sentar em um grupo que estivesse disposto a mudar as coisas, mas as vezes acho que isso é so mais um ato autodestrutivo em nome de nada, a revolução não está a vistas, sinto cada vez mais vontade de não me mover.
Eu estou triste, mas ninguem pode me ajudar, é como se eu tivesse algo muito contagioso, o pessimismo não agrada ninguém, roubaram minha esperança em dias melhores e  olham pra minha tristeza como se fosse doença, se eu morrer dirão que foi porque não me tratei, mas o mundo era minha ferida.
Eu não lembro como é viver sem esse peso, faz tempo que sinto meu pulmão sendo comprimido pelo meu torax, meus ombros pesam e quando alguem fala comigo sua voz parece muito distante, meus pensamentos dançam freneticamente e quando tento ordena-los eles fogem muito depressa, por isso eu escrevo, pra transformar essa realidade dolorosa numa escrita tão patetica quanto a vida.

outubro 06, 2016

Eu não escrevo, eu não consigo mais escrever sobre o que acontece, eu nem sei se sinto algo, é como se estivesse sendo alvejada por todos os lados e estivesse apenas esperando  o tiro fatal, eu ainda acompanho com os olhos e quem sabe com o corpo o movimentos do som, mas eu não tenho mais fé na minha sobrevivência,
Passo o dia tentando me explicar, passo o dia tentando arrancar humanidade de quem não consegue ter empatia, passa o dia e eu chego em casa e só quero olhar para o teto e esquecer que não vale mais a pena. Eles vencem roubando o jogo, todos estão vendo, não há pudor, o odio possui seguidores fieis e vale muito, eles apontam pra nossa cara e riem da ética que tratamos com eles, eles matam porque não tem mais espaço pra todos, eles não escondem seus interesses em guerras santas ou ideologias vazias, o mercado pede, eles dão.
Caminho cabisbaixo pela rua, alguém vem em minha direção e grita para que saia do seu caminho, não acredito que estamos vivendo isso, não quero mais, eles dizem que é assim mesmo que tem ser, eles acham que temos que ficar silenciados, que até podemos ficar aqui desde que aceitemos seus acordos espúrios e sua violência institucionalizada, estão matando nosso cachorro e pisando nossa flores, Kafka ou Dostoiévski não teriam imaginado cenário tão distópico.
O que fizemos de errado? Onde foi que desistimos? Alepo, Bagdá, Sarajevo, a faixa de Gaza, seguimos ocidentais demais para não nos acharmos responsáveis por suas mortes, seguimos fingindo nossa civilidade, mas o sistema prisional, a guerra as drogas, o aborto clandestino, estão aqui batendo nossa porta e mostrando que agora é nossa vez de sentir a seletividade da justiça e dos justiceiros. Não estamos preparados, não saberemos lidar novamente com os anos noventa e toda austeridade prometida, não queremos ficar de fora da festa consumista que nos prometeram, não será fácil, não vai ser um festa armada com muitos camaradas barbudos denunciando a exploração capitalista nas portas de fabricas, eu romantizei o velho golpe de 64 como sendo um golpe da mentira, do que estava escondido e precisava ser denunciado, mas pra dar golpe não precisa de mentira, a maioria das pessoas sabem o que está acontecendo, elas querem se manter como peças do sistemas, não há denuncias a serem feitas, quando essas denuncias chegam na justiça eles mudam as leis, porque eles podem, não sobreviveremos.


Nós vos pedimos com insistência:
Nunca digam - Isso é natural!
Diante dos acontecimentos de cada dia,
Numa época em que corre o sangue
Em que o arbitrário tem força de lei,
Em que a humanidade se desumaniza
Não digam nunca: Isso é natural
A fim de que nada passe por imutável.

julho 04, 2016

Faz tempo, eu sei, mas é que ha algo de muito ruim acontecendo, acho que cresci, despertei da pueril inocência que me mantinha distante da realidade, a internet de hoje conta a historia de uma bagda com uma centena de mortes em nome de nada, conta também a historia de alguém que denuncia coisas absurdas sumindo, ninguém diz nada, todos ja  esperávamos essas noticias.
eu tento fingir que esta tudo bem, se eu conseguir continuar comprando coisas então o mundo esta no seu lugar, não foi esse o combinado, eu sei, mas e que parece uma daquelas pestes de antes, a grande guerra ou qualquer coisa que a historia fez parecer ok porque teve seu lado positivo.
 eu tenho um cachorro e me sinto satisfeita com a reciprocidade de seu amor, para o meus iguais não demonstro qualquer sentimento, pois isso denotara fraqueza, as pessoas estão morrendo por escolhas que não fizeram, mas assumiram, as crianças estão sendo alvejadas na cabeça, ja é literal a tentativa de matar o pensamento, as meninas são vendidas como produto de exportação, tudo vai mal.
disseram outro dia que é pra eu ter calma, que não ta tão ruim assim, afinal a diferença e que agora ficamos sabendo de tudo, o problemas é essa inercia,minha, diante de fatos que deveriam ser chocantes, não são, so fico preocupada se ainda poderei comprar na próxima liquidação as coisas que não preciso mas que seria um crime não levar por conta do desconto.
acordar e dormir, eu sei das coisas que acontecem, eu jamais poderei dizer que não sabia do frio e da fome, eu vejo, eu tento virar o rosto, mas do outro lado tem mais, tem uma guerra acontecendo na minha cara, crianças negras morrem por serem negras, eu ouço os helicópteros eu vejo as viaturas, o barulho dos tiros adentram meus sonhos, mas lá e festa de São Joao. ainda assim, eu so continuo pra poder pagar o aluguel.
eu fico um pouco triste, não vou negar, ninguem para pra conversar sobre uma possivel solução, estamos todos olhando pro abismo, o mais corajoso vai se atirar primeiro, as vezes eu preciso de um abraço, não tem ninguem aqui, voce esta certo em se afastar, estou me afogando e voce não sobreviveria se tentasse me salvar, as vezes acho que ja morri.

Eu preciso escrever, porque  por mais que voce negue minha condição de silenciada é assim que eu me sinto, eu não sei aonde vai levar toda essa dor, sinto que sou castigada por ser eu mesma, por agir como qualquer pessoa agiria diante da indiferença e do desprezo,  todos os meus sentimentos são reduzidos a sintomas de uma uma doença que me faz menos humana, mais monstruosa e capaz de maldades indizíveis.
Quando me vejo implorando perco toda fé na vida, quando me vejo implorando sinto como se não devesse mais existir, que tipo de ser precisa tanto de amparo a ponto de temer a si mesmo, de abrir mão do que é pra que seja, mais uma vez, abandonado por aquele que ama? Que tipo de ser aceita amar sozinho? Quem disse que esperar afeto de alguém próximo é abusivo, quem disse que pensar em si mesmo te obriga a ser cruel com o outro, quem disse que aceitar crueldade e tortura é um ato de força? Só vejo fraqueza em mim,  não há mais nada que possa tirar daqui, me envergonho do eu sou, porque parece que o que eu sou so faz mal a quem amo. Não quero mais ser eu, mas não sei ser outra, não sei, nao se aprende assim a deixar o passado que te moldou,  não se aprende assim a secar as feridas e maquia-las  pra que ninguém tenha que carregar contigo esse peso. Não conheço quem tenha seguido sozinho sem precisar de  um braço, não quero ser a pessoa que implora, mas não quero ser a pessoa que fica só por não ser possível estar perto. Eu sou uma pessoa, é preciso saber sempre disso, que gosta de algumas coisas, que detesta outras, que faz associação de situações antigas as presentes, por que é assim que funciona nosso julgamento, eu posso ser racional e me esforçar,  mas não sempre, não posso podar minha impulsividade sempre,  a não ser que seja um robô programado pra isso. Eu sinto isso quando pergunto o que tenho que fazer pra que você fique, eu posso  programar, não ser mais nada, ser uma peça decorativa naquele canto, eu não quero viver assim, mas não suporto a ideia de ficar sozinha,  eu tenho medo. Eu sinto que estou sendo castigada muito desproporcionalmente, eu não entendo porquê, eu fico imaginando e me ferindo por ter feito alguma coisa, mas na verdade ainda não materializei a atitude condizente com a minha pena, eu estou muito cansada e envergonhada  do que sou, ninguém devia se envergonhar do que é, eu não gosto mais de viver, nem sei se há cura pra isso, eu me sinto sob tortura. Um pedaço de carne pisoteado que nao serve pra mais nada. Eu sinto que nao sou mais amada por você,  que estamos  a km de distância e que fui facilmente substituída, descartada como as coisas são, por ser gente, por reagir, por sentir desconforto, por ter problemas, por não ser mais útil, so queria poder dizer que estou sendo machucada, eu sangro, como qualquer outra pessoas, sem manipulação, sem teatro, eu sangro o tempo inteiro. Eu nunca pensei em você como meu alicerce,  eu nunca contei com voce pra me tirar do fundo poço,  você sempre foi claro quanto a não estar disposta a fazer isso por mim, qualquer ser humano precisa de mais do que alguém pra dividir as despesas, um abraço na hora da dor, mesmo que a dor seja exagero,  um elogio pra seguir a vida, eu sempre soube que sua mala estava pronta, mas eu nunca estive pronta, eu so queria a ilusão de família,  esse amor que eu imaginei ter obrigatoriedade consanguinidade, esse era o único amor que me achei capaz de conseguir, mas nem esse, que espécie de pessoa devo ser. Eu nunca esperei de voce mais do que sua presença de humor flutuante,  era o bastante, mas fui ficando pequena e pequena porque era assim que voce demonstrava que me via. É tudo tão violento, eu devo ter te machucado tantas vezes, mas eu  nao sei se voce percebe que eu sou de carne e osso também. Eu estou tão cansada.