Me visitam

junho 07, 2026

 Muitas coisas tem acontecido, coisas muito estranhas, mas não tão estranhas assim, tinha me esquecido como era me sentir tão descontrolada emocionalmente, daí, de repente, eu me pego chorando as 2 da tarde, num domingo qualquer sem nenhum motivo aparente.

 Estou doente nos últimos dias, convalescendo mesmo, febre alta, tosse produtiva, e dor em cada uma das minhas articulações, já fiz tudo que tinha que fazer, fui ao médico, tomei antibióticos e tenho me hidratado como devo. O corpo está se recuperando, mas a alma está em pedaços e se esvaindo cada dia mais, a dor me deixa muito vulnerável, me sinto ainda mais desamparada, a vida não precisa ter sentido sempre, ela já tem valor, mas é que com alguma limitação você se dá conta da sua singularidade. 

Tenho me sentido sozinha, a vida inteira, achei que era um processo, que quando arrumasse algumas bagunça, aparace algumas arestas  iria resolver isso bem rápido, foquei em comédias românticas, em príncipes encantados, em personagens literários, agora a realidade me assombra, não consigo me conectar a nada. Sei bem que a solidão é uma condição humana, que não nenhum amor é capaz de preencher qualquer vazio existencial, mas as vezes o que me falta é apenas calor humano e nem isso alcanço facilmente. 

Tenho estado cada dia mais triste por isso, me sinto fracassada em me relacionar, olha que me relaciono bem, tenho um e diversos grupo de amigos, tenho convites para eventos, não sou introspectiva e consigo ser eu mesmo nos ambientes que círculo. Meu problema é não conseguir viver todas as formas de amor que projetei pra mim, eu amo intensamente, com todo o ser, eu geralmente quero devorar meu objeto de desejo e só aceito viver isso com reciprocidade. 

Não estou dizendo as outras pessoas são incapazes de viverem seus amores assim, mas não sei se desperto isso em a outras pessoas, então vivo nessa abstinência, porque é precisos um cálculo matemático muito exato pra que dois desejantes alucinados saim de casa no mesmo dias, se esbarrem em algum lugar consigam realizar a magia desse amor quimerico.


abril 27, 2026

 Quando penso que a vida pode está meio cinza vem um dente de leão e beija a bunda do meu cachorro, tem beleza em tudo, viver é incrível 

abril 23, 2026

 O outono chegou com força, entramos em touro com toda a sua dureza, ando chorando muito, nao sei explicar o que esta acontecendo, tudo é novo na sensaçoes, acho que antes o corpo nao interferia tanto assim nas minhas emoçoes. Nao acho que ja tenha entrado na perimenopausa, mas sinto que tenho sido guiada por uma confusao hormonal, é meio estranho pensar em uma mulher de meia idade escrevendo blog, mas foi isso que sobrou para nó
s millennials

Hoje esta fazendo um dia cinza, com um tom meio marrom no céu, o verde das arvores é escuro e nao venta, tem um silencio barulhento aqui onde estou, daqui a pouco devo me levantar e me preparar para a rotina de trabalho, seguir como se algo aqui dentro nao estivesse em franco fenecimento, tudo é um estado mental e de espirito, nao há nada de errado na vida ao redor, so os pensamentos ruminando em coisas do passado e um futuro meio morno.

A vida é boa, eu sei, gosto de como as coisas me assombram e tocam, mas existem esses dias de instrospeccao, de cansaço, de desesperança, eles tambem sao bonitos, mas doem. Quando atinjo um nivel elevado de energia eu sei que a queda se aproxima, tento, de forma proxilatica, me antecipar e me conter, besteira, porque a queda é sempre traumatica. Acho que penso muito nas coisas que sinto, sem me deixar tomar totalmente por esses sentimentos, uma vida cheia de controles internos, espectadora da existencia.

fevereiro 18, 2026

 De todas as coisas eu queria pelo menos viver uma das minhas ficções uma vez na vida, eu vivo no campo do platônico, eu aprendi a sobreviver disso, mas as vezes, por um segundo, sinto uma dor indizível pela injustiça de nada disso ser real. Eu crio coisas lindas, mas imaterializaveis, o real não me alcança, não há toque físico, mas a dor é dilacerante. 

Para que eu sinta que estou viva eu vou criando um mundo fictício, eu vivo nele por um período, mas um dia eu acordo e me atiro no chão pra despertar com a dor da inexistência, eu julgo injusta a realidade, mas não sei como transforma-la, eu aceito o que há, me agarro a alguma beleza e sigo fingindo ser como os outros, não que eu seja como os outros, mas simulo.


janeiro 22, 2026

 Voltei ao estado de angustia que deu origem a esse blog, 2008 foi um ano de transformaçao profunda na minha vida, eu entrei na faculdade e o mundo se abriu de tal forma que nunca mais fui a mesma. Eu ainda nao consegui identificar de onde vem minha angustia atual, qual o gatilho, as vezes acho que  pode ser hormonal, mas nao tenho certeza, talvez seja outra troca de pele, o luto pelo que estou deixando pra trás, nao sei, so sei que escrever me ajudar a fingir controle.

Tenho estado triste, um buraco fundo e vazio faz barulho dentro de mim, me sinto muito sozinha e cada vez mais desconfiada de tudo, sei que no fundo ninguem se importa e que a solidao é uma realidade que ja venho superando pela vida a fora, nao e como se me encontrasse em uma situaçao dificil, as vezes penso que pelo contrario, o fato de realizar coisas que apenas tinha sonhado que é que levam a essa sensaçao de perda de esperança.

Estou triste, nao tenho nenhum problema, nao tenho estou correndo nenhum risco, so estou triste, é como se estivesse apenas assistindo as pessoas vivendo suas vidas, sem conseguir participar de nada. Nao consigo sonhar com nada, nao consigo desejar nada, me sinto uma crianca esquecida na creche.

Me angustia pensar que a vida pode ter esse tom pra sempre, essa amargura, nao lembro de ter vivido dessas maneiras outras fases de angustia, antes ficava agitada, tentando resolver, mas hoje nao consigo identificar de onde vem essa dor, o que me jogou nesse buraco do nada, estou escrevendo pra ver se encontro em mim alguma faisca.